Sexta-feira, Junho 01, 2012

Vida Nova!!


Amigos
Após quase 10 anos de convivência, meu casamento com Polyana Demoner chegou ao fim. Sem mágoas e traumas, civilizadamente. A partir deste fim de semana, estarei morando no hotel San Marco, no Plano Piloto. Meu celular continua o mesmo 61-9828.5152. Espero que meus amigos e os que conheceram Polyana em minha companhia continuem a quere-la bem e a trata-la com o respeito e admiração que ela merece.
Luiz Aparecido

Quarta-feira, Maio 30, 2012

Discutindo o futuro do Cerrado

Rui Faquini


Siron Franco




O Cerrado na Rio+20

JAIME SAUTCHUK*

O encontro global sobre clima chamado de Rio+20, no mês que vem,
terá certamente muitos discursos empolgados de chefes de estado e
de governo do mundo inteiro, mas pouco resultado prático. O evento
será, entretanto, palco de uma série de outros acontecimentos que
chamarão a atenção de quem nele estiver antenado, ao redor do
Planeta.

Uma dessas atrações, que desde agora já vem chamando atenção,
é uma exposição (ou instalação) que o artista plástico goiano Siron
Franco fará, baseado principalmente em fotos do também goiano
Rui Faquini. A mostra, ou libelo, ocupará generoso espaço do Centro
Cultural Banco do Brasil, que faz parte da estrutura da Rio+20, para
denunciar a destruição do Cerrado brasileiro.

As peças tratarão dos mais variados aspectos do Cerrado. Vegetação,
insetos, solo, fauna, flores, frutos, arquitetura, água e tudo o que de
mais belo se pode encontrar nesse bioma. Isto, somado ao que há de
mais doloroso, como o fogo predatório, a motosserra, as máquinas e
seus correntões, que derrubam tudo o que houver pela frente.

Em corredores diferentes, a genialidade de Siron criará ambientes
também diversificados. Uns de calma, paz e beleza, outros de
angústia, desgosto e desespero. É, enfim, a brutal diferença entre
a riqueza natural do Cerrado e a pobre riqueza do dinheiro, fruto da
destruição para servir a um modelo de ocupação comprovadamente
nefasto, para o usufruto de poucos.

E conta com a genialidade, persistência e competência de Faquini, um
fotógrafo que há mais de 40 anos palmilha os cantinhos mais remotos
do Cerrado, especialmente no Planalto Central do País, para deles
fazer um retrato ampliado, completo. De minúsculas plantas e insetos
a majestosas paisagens. Dos verde das chuvas ao amarelo dos meses
sem água. Dos rios transbordantes às praias de finas areias dos
tempos da seca.

Sua vasta produção está, em parte, publicada em incontáveis
obras de sua autoria ou ilustrando trabalhos de terceiros, ornando
ambientes dos mais diversos ou, ainda, servindo para peças de
campanhas em defesa do Cerrado. Outra grande parte segue inédita,

em seus arquivos, dos mais bem organizados da fotografia brasileira.

Siron Franco nasceu em Cidade de Goiás, antiga Vila Boa, que foi
capital do estado até a construção de Goiânia, na década de 1.940. É
uma cidade histórica, criada pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da
Silva Filho, o Anhanguera II, em 1.726. E hoje mora em Goiânia. Ele
costuma dizer que adora capitais, “mas desde que sejam de Goiás”.
Faquini, por sua vez, nasceu em Morrinhos, cidade do Sul do Estado,
e hoje mora no Distrito Federal, numa área fora de Brasília, “em chão
goiano”.

Além da paixão pelo Cerrado, entre Siron e Faquini há um monte
de outras afinidades. Uma delas é a mania de sempre encontrar um
jeito novo de mostrar algo que aparentemente já foi dissecado por
completo. Com uma vantagem: a constante procura de um modo
mais belo de dizer coisas que muitas vezes são tristes e feias.

Para a exposição da Rio+20, para demonstrar a dedicação, dia
desses, já tarde da noite, Siron telefonou dizendo que sentia falta
de alguma coisa e pedia a Faquini algo tão simples como “umas
trinta cabeças de abelhas”. E o pior é que foram enviadas trinta fotos
de cabeças diferentes de diferentes tipos de abelhas. É a busca da
perfeição, em ambos.

Com coisas de tipo, mesmo que a Rio+20 não traga nada de novo
para tentar salvar o Planeta, vale a pena conferir essa bela iniciativa
de salvar o Cerrado.

Terça-feira, Maio 29, 2012

Dialogo da busca da unidade na diversidade!!



Bom dia amigos e amigas, combatentes da liberdade e do socialismo. Òtima semana a todos e preparem-se para a semana que começa com luta.Neste sábado participei do almoço/encontro do "Centro de memória Operaria" da Vila Planalto. Um sucesso que aumenta a cada novo evento. Encontrei lá o Toninho Andrade, do PSol, animado com entendimentos entre eles e o PCdoB em Estados do Norte e torcendo para que a unidade na diversidade se estenda para Maranhão, Ceará e outros Estados! Nós tambem!!!

Já relatei acima o encontro/almoço que "Centro de Memória Operaria",da Vila Planalto em Brasilia, dirigido pelo companheiro Everaldo Cavazzo, realizou no sábado passado e proporcionou um proficuo encontro meu com o Toninho Andrade, do PSol. Espero que outros encontros como este aconteçam e mais gente preocupada com o futuro de Brasilia e do Brasil participem. Ai vai a foto!!

Quinta-feira, Maio 24, 2012

REFORMA OU REVOLUÇÃO:Um dilema que permanece!!!!




Neste artigo, Celso Lungaretti coloca o dedo na ferida que sangra na esquerda brasileira! Partidos e organizações de esquerda se acomodam no legalismo proporcionado por uma Democracia relativa, porém ampla e se tornam reformistas, deixando o processo necessario da Revolução em segundo plano. Tarefa hoje dos comunistas e revolucionarios, é lutar interna e externamente para que nossa esperança no processo revolucionario, socialista não se perca na poeira da ilusão reformista. Por isto seu artigo esta neste Blog!(Luiz Aparecido)


A FALSA CONSCIÊNCIA E A ESQUERDA
QUE COM ELA COMPACTUA

Celso Lungaretti (*)


Como faz falta uma esquerda à moda antiga, que não tenha medo medo de dizer em alto e bom som que o  problema fundamental nas nações capitalistas é exatamente o fato de serem capitalistas!
No Brasil, a esquerda que perdeu a vontade de fazer a revolução, preferindo disputar nacos de poder sob o capitalismo, embarca grotescamente no denuncismo contra a corrupção, pautado pelo inimigo e insuflado  ad nauseam  pela indústria cultural do inimigo.
Com isto, o debate político permanece há anos estagnado e não se oferece aos trabalhadores uma PERSPECTIVA REVOLUCIONÁRIA.
Bem dizia o Paulo Francis, nos seus melhores dias: o combate à corrupção é bandeira da direita.
A corrupção é inerente ao sistema que coloca a ganância e a busca da diferenciação acima de todos os outros valores, inclusive a família e a vida; haverá sempre algum político querendo levar vantagem por meios escusos e sua momentânea colocação na berlinda será sempre conveniente para quem está empenhado em evitar que os explorados reflitam sobre os caminhos concretos para darem um fim à exploração.
Entra CPI, sai CPI e nada verdadeiramente muda, ninguém é verdadeiramente punido, só cumpre um período de ostracismo e depois volta à tona, belo e lampeiro. Os acusados de uma podem até se tornar os juízes de outra, como Fernando Collor.

Caberia à esquerda brasileira dizer aos explorados: "Isto é só poeira colorida que o sistema joga nos seus olhos, para que sintam-se vingados vendo um poderoso cair no opróbrio! Vocês precisam é de que os frutos do seu trabalho não lhes sejam usurpados, não de catarse barata!".
Assim como caberia à esquerda  européia (começando pela da França, onde a xenofobia virou grande tema eleitoral...) dizer aos explorados de lá: "Não são os imigrantes que desgraçam sua vida ao disputarem postos de trabalho consigo, mas sim o capitalismo, ao forçar o trabalhadores a uma competição zoologica por bens que poderiam sobrar para todos, se a produção fosse voltada para o atendimento das necessidades humanas e o que se produz fosse distribuído equitativamente entre todos os seres humanos".
Mas, não o fazem. Então, entregues à FALSA CONSCIÊNCIA que o sistema tudo faz para neles incutir, os explorados daqui esbravejam contra todos os políticos e descreem na atividade política como caminho para forjarem uma sociedade mais justa, enquanto os explorados de lá hostilizam irmãos ao invés de buscarem seu apoio na luta contra o verdadeiro vilão, o capitalismo.
Até que a esquerda volte a ser revolucionária, continuaremos patinando sem sair do lugar.
* jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

Quarta-feira, Maio 23, 2012

Terça-feira, Maio 22, 2012


Xaolin da Rocinha aqui com Oscar Niemayer: dois revolucionarios preocupados com nosso povo!

Pronunciamento feito por Xaolin no Fórum Nacional, no BNDES, a convite do Ministro Reis Velloso.

Bom tarde senhoras, bom tarde senhores! 
Bom tarde a digníssima mesa!
O meu muito obrigado ao Exmo.sr. Ministro Reis Velloso pelo convite.
O meu muito obrigado ao camarada Vicente Pereira e a camarada Marília Pastuk, ambos da Ação Comunitária Brasileira, que generosamente me contataram para ser também protagonista deste novo processo que se apresenta. 
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“Rocinha e as favelas: um olhar sobre os direitos do cidadão, desafios e perspectivas,
políticas públicas e cidade integrada”.

*Antonio (Xaolin) Ferreira de Mello

“O papel de uma organização revolucionária é dar voz, boca e ação aos humildes e oprimidos”.
O escravo sem voz nem boca/o extenso sofrimento/se fez homem/se chamou Povo/Proletariado/ Sindicato./ganhou pessoa e postura.”
Pablo Neruda

Entendo que aqui, hoje, se dá um novo processo, transformador, mudancista. Entretanto quando este Fórum abre espaço para a favela falar, isto é revolucionário. É só entender Pablo Neruda, poeta chileno. Este processo que ora se apresenta deve a partir de agora ser sustentável como todos os processos necessários para a qualidade de vida dos habitantes desta cidade. 
A favela como ser distante do desenvolvimento da cidade está superada. A luta de seus moradores em fazer da favela espaço de moradia e de habitação digna é real. Desde a tática de subir o morro, cavar a pedra e fincar a estaca que sustenta o barraco até a luta pela água tratada, escolas com educação de qualidade, saúde pública de qualidade, saneamento básico, acessibilidade e outros serviços, a favela vai se tornando parte integrante desta cidade que em certo momento tenta isolá-la, mas os trabalhadores e o povo demonstram que querem permanecer onde suas raízes estão. 
Muito além da macroeconomia, muito além da economia solidária, o mais premente, o mais importante, urge, tem pressa: é a atenção à educação pública de qualidade e sustentável. Sem uma educação pública de qualidade e sustentável, todas as outras iniciativas estarão fadadas ao fracasso. Temos que criar um novo projeto nacional de desenvolvimento com grandes investimentos na educação.
Construir um pacto entre trabalhadores e empresários para investimentos na indústria e que o nosso povo tenha uma vida totalmente digna.
Na Rocinha não é diferente, conforme censo da SDSDH/RJ divulgado no Livro Plano de Desenvolvimento
Sustentável da Rocinha, somente 82% das crianças e jovens na faixa etária entre 07 e 14 anos freqüentam a
escola. Muitas lutas, muitos sofrimentos, muitas lagrimas, mas também muitas vitórias e muitos sorrisos. 
Quando surge o PAC nas favelas passei a entender o quanto é importante esta obra para a integração da cidade, porque Rocinha, São Conrado e Gávea se relacionavam através das relações do trabalho e a favela era vista como espaço violento, segregado e passível de remoção. O PAC integrou a favela a São Conrado, Gávea e á cidade, via debates intensos onde os protagonistas foram se conhecendo e se respeitando, olhando o outro como diferente, mas respeitando as diferenças. 
Malgrado a relação entre classes distintas, a Rocinha é hoje parte integrante do território, então o PAC contribuiu para a auto estima dos moradores dos três bairros e a possibilidade dos bairros debaterem juntos para a melhoria dos mesmos se torna real.
A Câmara Comunitária da Rocinha, São Conrado e Gávea, onde os participantes se reúnem e debatem em 10 Grupos Temáticos, os chamados GTs Educação, Saúde, Turismo Urbanismo/Meio Ambiente, Esporte/Lazer, Comunicação, Trabalho/Renda, Juventude, Segurança/Cidadania/DH e Cultura, como possibilitou a aproximação de classes distintas e a confiança das pessoas umas as outras com interesses convergentes para melhorar a vida da cidade e de seus habitantes. Neste sentido o morador é emponderado e passa a reivindicar melhorias para os bairros e o poder público incentiva esta relação e também dialoga com a população e atende suas demandas. 
Haja vista o Parque Ecológico da Rocinha que se constituiu em um eco limite natural e que foi uma demanda debatida pelos moradores na Oficina do Imaginário, em opção a construção de muros. Quando pronto irá atender a todos os bairros do Rio e Janeiro, a todos os brasileiros e outros povos de outros paises através do turismo ecológico. 
E a Rua 4; beco escuro que virou rua onde os bons ventos sopram e a luz natural ilumina um povo esperançoso e deleta as doenças de pulmão para bem longe e dá-lhe direito a moradia digna em um conjunto habitacional no próprio local.
É preciso que esta relação se torne sustentável e os três bairros venham a se consolidar nas relações humanas como exemplos para a cidade e que as políticas públicas atinjam aqueles que mais precisam dela sem deixar de lado o atendimento a outros bairros. 
Integrar as pessoas é o mais difícil. Entretanto na Rocinha, São Conrado e Gávea isto está se tornando possível. Entendemos que todo cidadão tem direito a cidade, que aceita e recebe a todos com o mesmo espírito de solidariedade e integração. 
Agora, quando surge o Programa de Polícia de Proximidade, as UPPs, isto significa que no asfalto e nas favelas é possível um diálogo entre os cidadãos, onde uma nova classe social/econômica surge e abre caminhos para que este mesmo cidadão possa viver com mais segurança, dignidade e qualidade de vida. 
A favela é parte integrante da cidade, isto é realidade. Digo com firmeza, porque hoje estou falando como favelado para o asfalto e todos me ouvem, portanto somos todos cidadãos da mesma cidade.
Por um novo projeto nacional de desenvolvimento!
Por uma educação pública de qualidade e sustentável!
Favela é cidade!
Obrigado Sr. Ministro Reis Velloso!
Obrigado camaradas! 
Um forte abraço da Rocinha e das favelas do Rio de Janeiro para todos vocês! 
Viva o Rio de Janeiro!
Viva o Brasil!
Viva o povo brasileiro! 

*Presidente da Câmara Comunitária da Rocinha, 
São Conrado e Gávea.
Foi presidente da Associação de Moradores da Rocinha.
Email: axaolin@yahoo.com.br
camaracomunitaria@yaoo.com.br

Domingo, Maio 20, 2012

Carlos Pompe e a "Marcha das Vadias"



Coluna de Carlos Pompe de hoje trata da questão das mulheres e sua história através dos Tempos!
Marcha das Vadias, pra que te quero

Reproduzo o texto de Andréa Cerqueira, mãe da Bruna, do Coletivo da Marcha, mestranda em Sociologia pela Universidade de Brasília e Multiplicadora da Técnica do Teatro do Oprimido.
Uma abordagem interessante sobre a opressão da mulher.

“José, José, prepara teu café,
João, João, cozinha teu feijão,
Zeca, Ô Zeca, lava tua cueca!”
Toré feminista (Loucas de Pedra Lilás)

Nossa história começa lá atrás. Nos estágios mais remotos da vida humana.

Segundo o psicólogo alemão Erich Neumann, no período primordial, “não existe uma pré- disposição nem uma incapacidade, condicionadas pelo sexo, no que diz respeito a qualquer tipo de ocupação importante para o grupo. Encontramos homens ociosos e mulheres guerreiras, da mesma forma que há mulheres ociosas e homens ativos. Algumas vezes a relação com o poder é prerrogativa dos homens e, em outras circunstâncias, das mulheres.”

Já no auge da época matriarcal, a individualidade era pouco desenvolvida, assim como as relações individuais entre homens e mulheres. A existência coletiva do grupo estava em primeiro plano. Os rituais universais de fecundidade eram orientados para a comunidade como um todo.

Na religião e mitologia do Egito, segundo Neumann, “a reelaboração patriarcal do simbolismo matriarcal anterior já pode ser claramente constatada.” E, na Índia antiga, numa passagem das “lendas do Padmasambhava”, as mulheres serão tratadas como as ‘ogras’ do ser humano, e o seu corpo será o “caldeirão de cobre das bruxas, no qual têm lugar todos os sofrimentos…”
Alguns historiadores creditam a origem do poder paterno, que sempre acompanha a autoridade marital, à remota Índia. Nos textos sagrados, a família era um grupo religioso do qual o pai era o chefe.

Com Jesus Cristo a coisa muda de figura, senão na prática, pelo menos teoricamente. Jesus proclama que a autoridade paterna não seria mais exercida no interesse do pai, mas do filho, e que a mãe não seria a esposa-escrava, mas a companheira. Sabemos que esta mensagem foi reinterpretada de diversas maneiras posteriormente por teólogos e apóstolos e deu no que deu!

Santo Agostinho vai afirmar que a mulher é “um animal que não é firme, nem estável, odioso, que alimenta a maldade… ela é fonte de todas as discussões, querelas e injustiças.” Ou seja, é sempre Eva, coitada, a responsável pelos pecados de Adão! E São Paulo, em a Epístola aos Efésios, vai afirmar que o homem deve ser o chefe do casal, pois foi criado primeiro: “…assim como a Igreja está sujeita à Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos.” Santa interpretação!

Como se não bastassem esses defeitos de ‘origem’, a filosofia vai tentar reafirmar, com Aristóteles, a autoridade do marido e do pai. Segundo o filósofo, haveria uma desigualdade ‘natural’ entre os seres humanos. Dotada de frágil capacidade de deliberação, a opinião de uma mulher não era digna de consideração, e sua única virtude moral seria “vencer a dificuldade de obedecer”.

Saltemos alguns séculos, para chegarmos à França de Rousseau, o pai do contrato social. Para ele, a mulher era uma criatura essencialmente ‘relativa’, um ‘complemento’ do homem.
Mas na França também se fizeram ouvir outras vozes. Montesquieu, considerado um dos precursores da antropologia, denunciou diversas vezes as desigualdades entre homens e mulheres. Afirmava que não era natural a submissão das mulheres aos homens, e que este ‘império’ masculino era uma verdadeira tirania. “…se as mulheres são efetivamente inferiores aos homens deste século, a causa não reside na sua natureza, mas na educação que lhes é dada, ou melhor, na educação que lhes é recusada.”

Mas foi a partir do século XIX, que as coisas começaram a ficar mais nítidas, porque os cientistas sociais começaram a desvendar o que antes era tido como ‘natural’. Em A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, Engels vai afirmar que o primeiro antagonismo de classe que aparece na história coincide com o antagonismo entre o homem e a mulher, na monogamia, e que a primeira divisão do trabalho acontece entre o homem e a mulher para a procriação dos filhos. Diz ele: “a reversão do direito materno foi a grande derrota histórica do sexo feminino. O homem passou a governar também a casa, a mulher foi degradada, escravizada, tornou-se escrava do prazer do homem, e um simples instrumento de reprodução…”

A expansão do capitalismo, segundo a socióloga britânica, Sylvia Walby, foi um fator importante para a criação das circunstâncias materiais que levaram ao movimento das mulheres na esfera pública e ao feminismo.

A feminista norte-americana Heidi Hartmann buscou explicar a parceria entre patriarcado e capitalismo e a incapacidade dos movimentos trabalhistas socialistas, dominados por homens, em priorizar o sexismo. A filósofa e cientista política Iris Young, sua conterrânea, argumentava que as relações patriarcais estavam internamente relacionadas às relações de produção como um todo. E afirmava que a organização autônoma das mulheres permanecia como uma necessidade prática. Já a feminista francesa Christine Delphy descreveu o matrimônio como uma relação de classe em que o trabalho da mulher beneficia o homem, sem que haja uma remuneração compatível.

Segundo o sociólogo Avtar Brah, até recentemente, as perspectivas feministas ocidentais davam pouca ou nenhuma atenção aos processos de racialização do gênero, classe e sexualidade. Segundo o autor, estruturas de classe, racismo, gênero e sexualidade não podem ser tratados como “variáveis independentes”, porque a opressão de cada uma está inscrita dentro da outra – é constituída pela outra e é constitutiva dela.

E falar em feminismo no Brasil e na América Latina sem falar em gênero e raça, não faz sentido. Em todos os períodos de crise, houve a feminização da pobreza. Mulheres e negras foram as mais atingidas pela violência e pelas desigualdades. Segundo a feminista negra brasileira Luiza Bairros, o patriarcado repousa em bases ideológicas semelhantes às que permeiam o racismo: a crença na dominação constituída com base em noções de inferioridade e superioridade.

Se, a violência atinge uma em cada três mulheres na América Latina; quatro em cada dez mulheres brasileiras já foram vítimas de violência doméstica; uma mulher é agredida a cada cinco minutos no Brasil; e 70% das vítimas de violência sexual doméstica no DF têm até 14 anos, eu pergunto: COMO NÃO MARCHAR?

Segundo a infopedia, a marcha descende da tradição medieval inglesa que levava um servo a acompanhar a pé o seu amo que viajava em carruagens puxadas por cavalos.

Contra tradições e preconceitos que queremos superar, marchamos sem oprimir ninguém, lado a lado.

Contra o MACHISMO, O RACISMO, A HOMOFOBIA E TODAS AS FORMAS DE OPRESSÃO E DESIGUALDADE.

VIVA A MARCHA DAS VADIAS!