sábado, maio 18, 2013

UM DEBATE PERTINENTE NOS DIAS DE HOJE E SEMPRE!!!!


Alguém pode ser marxista e religioso?
 

 

Carlos Pompe*

O debate é recorrente. Apesar de Marx, Engels, Lenin e todos os marxistas que são referência para o debate ideológico se afirmarem materialistas, ateus, a dúvida persiste entre os que lutam pelo socialismo e querem uma sociedade justa e solidária. Dias atrás, o questionamento foi colocado numa página do Facebook e apresentou algumas das ideias que circulam sobre o assunto.

Uma internauta respondeu: “É possível, mas há aí uma contradição que um dia terá que ser resolvida...”.  Outro participante afirmou que, se a pessoa for católica e se afirmar marxista, poderá ser excomungada.  Existem encíclicas, lembrou, de vários papas condenando a participação de católicos em associações que são ateias, niilistas, maçônicas etc. Devido às posições da Igreja Católica, seu discípulo seria impossibilitado de ser marxista  – portanto, seria um problema dos adeptos do catolicismo e não da concepção marxista da natureza e da sociedade.

Houve quem considerasse que os religiosos são pessoas que precisam “encher de sentido uma vida sem sentido”, têm uma necessidade primitiva por crer em uma divindade que explica a existência das coisas. Um dos debatedores foi contundente: “É impossível dizer-se marxista sem entender Marx; e é impossível entender Marx e o materialismo histórico-dialético e, ainda assim, permanecer religioso”. No mesmo diapasão entoou uma partícipe: “A primeira condição para ser marxista é conhecer Marx, ler e entendê-lo. Portanto, pode dizer-se que é um conhecimento científico e um método. Alguém pode ser marxista sem conhecer os pressupostos da teoria marxista? Ou há uma confusão instalada aqui entre ser progressista, socialista, comunista ou marxista, como se os termos fossem equivalentes? (Mas não são)”. Houve contestação: “Eu acredito que exista gente católica, que pertence ao corpo da Igreja Católica, gente que estuda Marx, lê, entende e sabe o que é marxismo”.

Teve um que foi ácido ao considerar que “os caros amigos defendem que uma sociedade marxista deve ser toda ateia, sem haver respeito às individualidades ou coletividades que querem perpetrar a prática religiosa? Se partirmos desse pressuposto, a Venezuela não é socialista, pois o próprio Chávez era declaradamente católico fazendo até muitas citações de Jesus”. Opinião mais pragmática apareceu: “Se for religioso e lutar pelo socialismo... bola pra frente, no futuro e com o andar da carruagem as melancias se ajeitam...”

Um adepto do marxismo testemunhou: “Recentemente fui duas vezes ao Dr. Fritz, em Sabará, uma médium que dá passividade para este espírito e tive meus dois problemas de saúde resolvidos, assim como N casos”. Responderam-lhe: “A própria ciência já falou sobre a efetividade do efeito placebo, que as pessoas adquirem a cura por acreditarem que estão se tratando da melhor forma que existe”.

Houve até confissão: “Bem, eu sou marxista, mas sempre que preciso dou um pulinho no budismo, sem problemas, mas não posso afirmar categoricamente que isso não seja uma fuga minha, claro que pode ser...” Teve quem filosofasse: “Gente, a religião é uma necessidade humana. Nasceu e se desenvolveu e desenvolve de acordo com as condições MATERIAIS de cada sociedade. Ser religioso é atender a esta necessidade seja da forma que for (e são as mais variadas...)”.

Expressei também meu pensamento: Como concepção filosófica que norteia setores do movimento popular e social, o marxismo não tem dono. É ciência e método, portanto precisa ser estudado, mas uma pessoa pode dizer-se marxista e filiar-se ao Partido Comunista ou qualquer outra organização que considere marxista, sem que tenha lido Marx e os clássicos ou domine e defenda a teoria materialista-dialética. Todo marxista é socialista, mas nem todo socialista é marxista (vide Chávez), e a sociedade socialista deve ser laica e garantir a mais ampla liberdade de opinião e de crença.

Um médico pode ser ateu, islâmico, judeu, católico, budista, o que quiser, mas para ser bom médico, na hora e atender ao paciente deve levar em conta sua ciência e não sua crença. Existem as chamadas "fronteiras da ciência" – coisas que acontecem e a ciência ainda não tem explicação. A acupuntura é (ou era) um exemplo (parece que acharam a fundamentação científica, recentemente). Enquanto a ciência não "desvenda o mistério", a explicação mais fácil tem sido apelar para o sobrenatural em vez de reconhecer: mais do que isso, não sei, mas vou continuar estudante e testando...

Ciência e religião se repelem porque uma apega-se à realidade, outra ao além - e a religião, ou o idealismo filosófico, para usar o termo mais correto, não consegue demonstrar a existência do além, a não ser pela fé. A religião tem seus dogmas; a ciência, suas hipóteses e descobertas – e o critério da verdade, no dizer de Marx, é a prática. Concordo com várias das opiniões expressas no debate (aqui só coloquei algumas) e, como escreveu um dos opinantes, na luta pelo socialismo, estejamos todos unidos que, “com o andar da carruagem, as melancias se ajeitam...”

*Carlos Pompe é jornalista, marxista-leninista e editor do Vermelho/DF dentre outras coisas!!

segunda-feira, maio 13, 2013

Temporariamente inativo!!

Queridos leitores, temporariamente este Blog do Luiz Aparecido estará sem postagens novas. Pelo menos mais uns 10  dias. O motivo é que estou sem equipamento próprio e passando por problemas de agravamento de sequelas de minha doença(meliopatia cervical comporessiva). Peço desculpas a todos mas brevemente votaremos ao ar!!

quinta-feira, maio 02, 2013

A GUERRA SUJA DOS MERCENARIOS NA SIRIA!!



Manifestação popular a favor do governo Assad na Siria
Estes são os mercenários a serviço de interesses do Imperialismo e seus lacaios


Por Thomas de Toledo, da Unicamp/SP

A guerra que ocorre hoje na Síria não tem nada a ver com luta por democracia ou por direitos humanos. Na verdade ela é patrocinada por uma das mais nefastas coalizões já montadas contra um país na história do Oriente Médio, reunindo as monarquias absolutistas do Golfo (Arábia Saudita, Qatar, Iêmen, etc), Turquia (sonhando retomar o imperialismo Otomano) e como não poderia deixar de ser, Israel, União Europeia e principalmente Estados Unidos. Todos financiando grupos terroristas como a Al-Qaeda e bandos armados de mercenários como a Blackwater para gerar o caos e justificar uma invasão estrangeira para se instalar um governo servil aos seus interesses.

Os interesses de cada um desses atores são diversos: desde a construção de gasodutos, exploração do gás no mediterrâneo, desmantelamento da base naval russa, rivalidades históricas entre sunitas e xiitas, ao estabelecimento de um regime títere como existe hoje no Afeganistão. Mas o interesse comum a todos eles é redesenhar o mapa político do Oriente Médio, atacando três forças políticas: a Síria do presidente Bashar Al-Assad, o Hezbollah no Líbano, e o alvo principal, a República Islâmica do Irã.

A intervenção desta aliança estrangeira, indevidamente chamada "Amigos da Síria", tem atuado em três frentes: política, militar e midiática. Do ponto-de-vista político procuram isolar a Síria na Liga Árabe e na ONU, onde já tentaram sem sucesso aprovar uma intervenção militar no Conselho de Segurança, vetado por China e Rússia. Também, num gesto à revelia do Direito Internacional, criaram um "Conselho Nacional Sírio", formado por sírios residentes no exterior, e o reconheceram como único governo legítimo do país, sem qualquer eleição ou apoio da população local.

Em termos militar, como até agora essa coalizão não conseguiu autorização na ONU para uma intervenção direta, seguem terceirizando a guerra com mercenários e fornecendo armas a grupos jihadistas /salafistas (fundamentalistas muçulmanos), dentre os quais a própria Al-Qaeda. Mas como o presidente sírio Bashar Al-Assad tem sido bem sucedido em enfrentá-los, procuram agora apelar para novos pretextos que justifiquem a invasão. Na última semana, Barack Obama passou a alegar que o governo sírio usa armas químicas, a mesma desculpa usado por George W. Bush para invadir o Iraque.

No aspecto midiático, uma organização de Londres chamada "Observatório Sírio dos Direitos Humanos" fabrica estatísticas diárias de mortes e crimes de guerra, responsabilizando o governo sírio por tudo o que acontece, inclusive pelos atentados realizados pelos bandos armados. Em seguida, as grandes redes de notícia estadunidenses, europeias e árabes difundem tais informações como "verdades inquestionáveis", e veículos de comunicação periféricos de outros países como o Brasil apenas reproduzem.

A única saída para este conflito será política, negociada e pacífica. O ex-Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, havia acordado entre governo e oposição um plano de 6 pontos, que não se efetivou porque a coalizão estrangeira, e especialmente os Estados Unidos, o sabotou. Até agora, Assad foi bem sucedido em promover reformas políticas no país e em integrar a oposição democrática ao processo. O que se espera, portanto, é que as forças estrangeiras respeitem a soberania síria e o desejo de seu povo de encerrar este conflito e decidir por eles mesmos quem convém representá-los.

Com Assad ou sem Assad na presidência, esta decisão cabe unicamente aos sírios e a comunidade internacional deveria respeitar sua soberania. Porém, os interesses estrangeiros obscuros não desejam a paz, muito menos respeitam a soberania síria. Dessa forma, é necessário a todo custo barrar esta guerra imperialista e fortalecer o processo de paz a todo custo.

quarta-feira, maio 01, 2013

Solidariedade aos perseguidos politicos!!!

O Brasil, “aparentemente” um Estado democrático de Direito, governado por uma presidente ex-guerrilheira, num governo de coalização com partidos democráticos, socialistas e até comunistas, deveria ser um porto seguro para perseguidos políticos de todo o mundo. MAS NÂO È!! Vide o caso de Olivério Medina, representante das FARC-EP colombianas no Brasil, Césare Batistti, ex-guerrilheiro e agora um pacato escritor, um cidadão escocês que defende a independência daquele País da Inglaterra e por fim Joseba Gonzalez, ex militante do ETA espanhol, são detidos no Brasil e entregues a sanha reacionária do que deveria ser o Supremo Tribunal Federal e a Policia Federal como carcereira.
Cadê a Secretaria dos Direitos Humanos, os direitos de asilo e o bom senso politico e legal. Tá na hora de darmos um basta a estas arbitrariedades.

terça-feira, abril 30, 2013

A exemplo de Battisti, membro do ETA tenta obter asilo político no Brasil



Joseba sendo preso pela Policia Federal, no Rio de Janeiro!! 
Joseba Gonzalez, acusado de participar de atentados do grupo separatista basco, foi preso no início do ano no Rio e está em liberdade vigiada; Espanha pediu extradição ao STF.
Ativistas do Sortu, partido político espanhol formado por ex-militantes da organização guerrilheira basca ETA (Ruskadi Ta Askatasuna ou Pátria Basca e Liberdade) vão desencadear campanha no Brasil pela naturalização de um de seus integrantes, Joseba Gotzon Vizán Gonzalez, preso no início do ano no Rio de Janeiro e, em fevereiro, colocado em liberdade vigiada. É um dos poucos presos com liberdade condicional monitorado por tornozeleira eletrônica.
 “Como fez no caso Battisti (Cesare Battisti, ex-militante da luta armada na Itália) o Brasil tem tradição de solidariedade com os perseguidos políticos”, diz Aser Altuna, representante do Sortu para a América do Sul e Caribe. Em São Paulo, onde participou como convidado de audiências da Comissão da Verdade, Altuna recebeu o apoio dos grupos de direitos humanos, que vão participar da campanha.
Vizán Gonzalez é alvo de um pedido de extradição feito pelo governo espanhol ao Supremo Tribunal Federal (STF). Acusado de participar de pelo menos dois atentados a bomba contra policiais espanhóis envolvidos em tortura contra integrantes do ETA em Bilbao, há 16 anos, o militante vivia no Rio com identidade falsa. Ele tem um filho de 11 anos e trabalhava como professor de espanhol.
Foi preso por falsidade ideológica depois de ser seguido por vários dias pela Polícia Federal. A suspeita de que estivesse vivendo no Brasil foi passada pela Interpol (Polícia Internacional) depois que a polícia brasileira intensificou o intercâmbio de informações para se prevenir contra ações terroristas durante os grandes eventos que ocorrerão no país (Copa das Confederações, Copa do Mundo, Jornada Mundial da Juventude e Olimpíadas) até 2016. Ao tomar conhecimento da prisão, o governo espanhol, que considera o ETA um grupo terrorista, enviou o pedido de extradição.
Altuna diz que a atitude do governo espanhol é inoportuna. “É um torpedo contra o processo de pacificação. O ETA recolheu as armas e agora faz política pela via democrática”, diz o ativista. Legalizado em junho do ano passado, o Sortu disputou as últimas eleições na Espanha, conquistando 120 prefeituras na região basca. Segundo ele, o retorno do militante preso no Rio representaria a continuidade das perseguições e tortura contra membros do ETA.
“Acreditamos que o governo brasileiro concederá asilo político. Mesmo que tenha vivido aqui com documentos falsos, ele tem um filho nascido aqui”, lembra Altuna. O jornalista e ativista Ivan Seixas disse que os movimentos de esquerda vão se envolver na campanha como no caso Battisti. Segundo ele, usar documento falso é providência corriqueira e um direito de perseguidos políticos em situação clandestina no mundo inteiro. Altuna só volta à Espanha depois de audiência com o secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, a quem pedirá apoio.
Os movimentos de direitos humanos trabalham também com a hipótese de um pedido de refúgio político. A concessão é prerrogativa do governo federal e poderia, como no caso de Battisti, deixar em suspenso, sem efeito, um eventual mandado de extradição pelo STF. Battisti, que ficou quatro anos preso em Brasília, foi libertado em junho de 2011 depois de se tornar pivô de um conflito entre o Palácio do Planalto e o STF, que acabou extinguindo o pedido de extradição do governo italiano.
No caso de José Vizán, segundo Altuna, a decisão pode ser mais fácil porque nenhum dos alvos dos atentados morreu, embora um dos policiais, Manuel Dominguez, do Corpo Nacional da Polícia Espanhola, tenha se ferido com os estilhaços da bomba colocada em seu carro pelo grupo em que se encontrava o ativista.
ETA anuncia cessar definitivo da atividade armada
Em comunicado, grupo separatista basco convida governos da Espanha e da França para diálogo
O grupo militante basco ETA divulgou um comunicado nesta quinta-feira afirmando que encerrou sua campanha armada pela independência, que já durava 43 anos, e convidou a França e a Espanha para um diálogo.


Imagem de vídeo mostra supostos integrantes do grupo separatista basco ETA anunciando cessa-fogo permanente (10/1)
O grupo fez o anúncio no jornal basco Gara, que é usado geralmente como seu porta-voz. ETA declarou um cessar-fogo permanente em janeiro, mas até o momento não havia renunciado à luta armada como ferramenta para alcançar a independência do Estado basco.
"O ETA decidiu pelo cessar definitivo de suas atividades armadas", afirmou o grupo no comunicado. "O ETA convida os governos francês e espanhol para abrir um processo de diálogo direto com o objetivo de obter uma resolução para a consequência do conflito."
O comunicado não faz nenhuma menção sobre o que o ETA pretende fazer com suas armas ou se o grupo irá se dissolver.
O ETA deixou 829 mortos em bombardeios e tiroteios desde o fim dos anos 1960. Ele é classificado como um grupo terrorista pela Espanha, a União Europeia e os Estados Unidos.
O anúncio vem três dias depois que autoridades internacionais, inclusive o ex-secretário geral da ONU Kofi Annan e o líder do movimento Sinn Fein, Gerry Adams, participaram de uma conferência do ETA na cidade basca de San Sebastian e pediram para o fim do uso da violência pelo grupo.
O presidente da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, reagiu ao anúncio do ETA dizendo que ele representa "a vitória da democracia, da lei e da razão". Em discurso televisionado, Zapatero afirmou, em uma primeira avaliação do cessar definitivo, que esse é o resultado da coragem e firmeza da sociedade espanhola no meio século de atividade do ETA e o triunfo do estado de direito "como único modelo de convivência".
O chefe do Executivo expressou seu reconhecimento ao trabalho desempenhado contra a organização terrorista pelos governos democráticos anteriores na Espanha. Ele também prestou homenagem à atuação e sacrifício das forças de segurança do Estado, "cujo generoso trabalho lhes custou tantas vidas". Zapatero agradeceu à França por sua colaboração contra a ETA. "Devemos eterna gratidão".
O líder espanhol fez menção especial ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, considerando sua colaboração como determinante. Ele também pronunciou palavras de reconhecimento às vítimas da ETA. "Nossa democracia será sem terrorismo, mas não sem memória."
Com agencias AP e EFE


segunda-feira, abril 29, 2013

Joaquim Nabuco e a relação política-religião


Joaquim Nabuco


*Carlos Pompe

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo sempre é referido nas escolas como um dos políticos que se destacaram na luta pela abolição da escravatura. Esse deputado federal, diplomata, jurista e jornalista pernambucano, nascido em 1849, também foi um grande defensor do Estado laico. Vale lembrar seus ensinamentos sobre o tema, emitidos na segunda metade do século XIX e início do século XX (morreu no início de 1910).
Ele criticou a Igreja Católica Apostólica Romana por ter se valido do trabalho escravo: "A Igreja Católica, apesar do seu imenso poderio em um país ainda em grande parte fanatizado por ela, nunca elevou no Brasil a voz em favor da emancipação", disse.
Num período em que o clero gozava de todas as benesses governamentais, Nabuco defendia a separação entre Estado e Religião e a laicidade do ensino público. Discursou, em 15 de maio de 1879, quando tinha 30 anos: "Eu desejava concordar com os nobres deputados, em que se deveria deixar a liberdade a todas as seitas; mas, enquanto a Igreja Católica estiver, diante das outras seitas, em uma situação privilegiada (…), os nobres deputados hão de admitir que (…) ela vai fazer ao próprio Estado, de cuja proteção se prevalece, uma concorrência poderosa no terreno verdadeiramente leigo e nacional do ensino superior. Se os nobres deputados querem conceder maiores franquezas, novos forais à Igreja Católica, então a separem do Estado."
 "É a Igreja Católica que em toda a parte pede a liberdade do ensino superior. Essa liberdade não foi pedida em França pelos liberais; mas pela Igreja. (…) É por que reconheça que o ensino deva ser livre? Não. Aí está o Syllabus que fulmina de excomunhão quem o sustentar". O que ela pretenderia é "a partilha do monopólio para, quando achar-se senhora exclusiva (…), fechar a porta à liberdade e à ciência". Infelizmente são palavras que guardam intensa atualidade neste século XXI. Em tempo: o  Syllabus errorum foi uma lista de erros proclamada pelo papa Pio IX, em 1864, condenando o panteísmo, naturalismo, racionalismo, indiferentismo, socialismo, comunismo, franco-maçonaria,judaísmo, igrejas cristãs adversárias e outras formas de liberalismo religioso.
Vai além, o orador: "A Igreja Católica foi grande no passado, quando era o cristianismo; quando nascia no meio de uma sociedade corrompida, quando tinha como esperança a conversão dos bárbaros, que se agitavam às portas do Império minado pelo egoísmo, corrompido pelo cesarismo, moralmente degradado pela escravidão. A Igreja Católica foi grande quando tinha que esconder-se nas catacumbas, quando era perseguida. Mas, desde que Constantino dividiu com ela o império do mundo, desde que de perseguida ela passou a sentar-se no trono e a vestir a púrpura dos césares, desde que, ao contrário das palavras do seu divino fundador, que disse: - O meu reino não é deste mundo, - ela não teve outra religião senão a política, outra ambição senão o governo, a Igreja tem sido a mais constante perseguidora do espírito de liberdade, a dominadora das consciências, até que se tornou inimiga irreconciliável da expansão científica e da liberdade intelectual do nosso século!"
 Encerra seu pronunciamento com palavras, que para serem mais atuais, só bastava juntar à Igreja Católica as seitas evangélicas: "Quando o catolicismo se refugia na alma de cada um, eu o respeito; é uma religião da consciência, é um grande sentimento da humanidade. Mas do que sou inimigo é desse catolicismo político, desse catolicismo que se alia a todos os governos absolutos, é desse catolicismo que em toda a parte dá combate à civilização e quer fazê-la retroceder".
 *Carlos Pompe, jornalista, comunista, editor do Vermelho?DF

segunda-feira, abril 22, 2013

A IMPRENSA BURGUESA NÃO SE CANSA DE PERSEGUIR E DENEGRIR OS COMUNISTAS E AS FORÇAS DEMOCRATICAS, POPULARES E PROGRESSISTAS!


O “Quarto Poder” vai recuar no anticomunismo?

Carlos Pompe*

Na semana que passou, o Senado devolveu a Luiz Carlos Prestes o seu mandato de senador pelo Partido Comunista do Brasil e a Câmara Municipal de São Paulo também devolveu os mandatos dos vereadores comunistas cassados em 1948. No mês passado, a Câmara Federal tomou idêntica posição sobre os mandatos dos deputados federais.

Na Câmara Federal a proposta de devolução dos mandatos partiu de Jandira Feghali (RJ), no legislativo paulistano foi de Orlando Silva e, no Senado, de Inácio Arruda (CE), todos do PCdoB. Como afirmou o senador cearense, “no dia 23 de maio de 1985, o então Presidente da República, José Sarney, recebeu, no Palácio do Planalto, o Constituinte comunista de 1947, João Amazonas, acompanhado do então deputado federal pelo PMDB baiano, Haroldo Lima, e ali foi anunciada a volta da legalidade do Partido Comunista. O Executivo se redimiu, assim, da postura antidemocrática assumida em 1948. Em 23 de junho de 1988, o Tribunal Superior Eleitoral deferiu a concessão do registro definitivo do Partido Comunista do Brasil. O Judiciário revogou, assim, o equívoco de 1947. Agora é o Legislativo que está reparando o erro e fazendo Justiça à história e à nação brasileira”.
Portanto, os Três Poderes, sensíveis aos interesses democráticos, nacionais e populares, voltaram atrás em relação às medidas arbitrárias que tomaram no passado. Mas e o assim chamado (pelos seus proprietários) “Quarto Poder”? Qual o posicionamento da mídia oligopolista?
Heber Ricardo da Silva, em A democracia impressa: transição do campo jornalístico e do político e a cassação do PCB nas páginas da grande imprensa (1945-1948), analisou como os proprietários dos jornais de maior circulação e seus prepostos trataram os comunistas no período em que tiveram sua primeira bancada parlamentar nacional. O Partido Comunista do Brasil (que na época adotava a sigla PCB) conquistou perto de 10% dos votos nas eleições presidenciais de 1947 e elegeu dezessete deputados e um senador, alcançou a maioria na Câmara dos Vereadores do Distrito Federal (Rio de Janeiro), em São Paulo obteve o terceiro lugar no total de votos nas eleições estaduais de 1947, contribuiu nos debates e elaboração da Constituição de 1946, destacando-se na defesa do direito de greve, autonomia sindical, estabelecimento e ampliação dos direitos de cidadania. Ou seja, nada do que as famílias Marinho (O Globo), Mesquita (Estadão) e Chateaubriand (Diários Associados) defendiam nas páginas de suas publicações, já então dominantes no país.
A imprensa das elites brasileiras despolitizava a atuação dos comunistas na Assembleia Nacional Constituinte. Os jornais retiravam das suas páginas os posicionamentos políticos ideológicos e colocavam em foco comportamentos e opiniões pessoais. Os fatos políticos sobre a cassação da legenda e dos mandatos comunistas em maio de 1947 e janeiro de 1948, respectivamente, foram muitas vezes omitidos pelos principais jornais do país. O objetivo era silenciar e anular as ações comunistas, evitando qualquer tentativa de suposta subversão social e organização das massas trabalhadoras.
Os jornais publicaram diversas matérias, editoriais e reportagens para emitirem juízos de valor e criar uma representação distorcida sobre o PC do Brasil e a atuação de seus parlamentares. Os comunistas eram excluídos das páginas dos jornais, mas a temática comunista e as ações contra os comunistas, como repressão, prisões, fechamento de organismos de base e intervenção em comícios eram abordados na perspectiva desautorizar a ideologia comunista e construir uma opinião pública contrária à atuação e funcionamento do Partido.
Em 1946, escreveu O Estado de S. Paulo, em editorial, que “não podemos ser complacentes com o Partido Comunista. As suas atividades são mais nocivas que proveitosas à coletividade [...] o que se sabe é que em todas as agitações, em todos os movimentos grevistas, nunca deixam de aparecer elementos graduados do Partido Comunista”. Apesar desse anticomunismo raivoso, o Estadão, que se opunha ao Governo Dutra, posicionou-se contrário á cassação. Júlio de Mesquita Filho considerou “um erro a medida adotada pelo TSE cassando o PCB, pois ela tornaria o governo mais impopular e ao mesmo tempo fortaleceria a legenda comunista que estava com seu prestígio em declínio”. Porém o Estadão afirmou que a decisão deveria ser respeitada e a Justiça Eleitoral não poderia ser pressionada pela opinião pública (ou seja, pelos eleitores!).
Também em 1946, O Globo publicou em editorial: “O Partido Comunista, dentro das intenções mais evidentes de seu guia e chefe, nada mais deseja que desenvolver o seu programa de achincalhe às autoridades, não poupando sequer os homens que se afastam mais do terreiro partidário, porque incumbidos de refletir no estrangeiro os rumos de nossa política externa, bem é de ver que ao Sr. Carlos Prestes e seus mais representativos correligionários com assento na Constituinte, o que importava acima de tudo era desmoralizar o poder público e sobrepor-se às suas ordens”. Desde o momento em que o projeto de cassação foi apresentado no TSE, o jornal publicou diariamente matérias e colunas para desfavorecer a imagem dos comunistas junto à opinião pública e reforçar o anticomunismo. Para o jornal dos Marinho, com o passar do tempo a “legenda vermelha” tinha sido responsável por “semear a discórdia” e representava perigo ao regime de liberdade. Os comunistas pretendiam solapar as instituições democráticas, criar uma situação de anarquia social, “a fim de que sobre suas ruínas econômicas fosse plantado o regime da foice e do martelo”.
O Jornal do Brasil, por seu turno, classificou como “memorável” a sessão que julgou a cassação: “Muitos procuram argumentar que a democracia é um conceito genérico e que qualquer restrição imposta à liberdade de associação política implica em ofensa a esse conceito. Mas a doutrina não pode servir de base para a apreciação de um caso concreto. O que se impõe é saber se o funcionamento desta ou daquela agremiação está em harmonia com os postulados e princípios democráticos julgados essenciais no regime peculiar ao Brasil”.
Chateaubriand saudou a decisão em editorial no Diário de São Paulo, alegando que “fechado pelo Tribunal de juízes, o PCB desaparecia como corpo estranho, pois não tinha nada a ver com a pátria, uma vez que agia com a representação soviética, ou seja, tratava-se de uma mercadoria de exportação que, repelida pelo consumidor, tem de voltar ao mercado de origem”.
A Folha da Manhã, precursora da atual Folha de S. Paulo, clamou por medidas que eliminassem o comunismo do cenário político, pois “sua ação representava um risco de se ver transplantado para o Brasil o regime soviético que era responsável em fuzilar dissidentes ou mandá-los para os campos de concentração”.
O Globo, Diário de São Paulo, Folha da Manhã e Jornal do Brasil aprovaram cassação também dos mandatos dos representantes eleitos pelo PCB e anulação da votação obtida pela legenda nos pleitos de 2 de dezembro de 1945 e 19 de janeiro de 1947. O Globo considerou que, ao contrário do que muitos haviam afirmado, “não havíamos assistido ao enterro da democracia, mas sim a manifestações de sua vitalidade triunfante como ocorre em todos os países livres como o Brasil”.

“Buscando a adesão do maior número de adeptos a sua causa política, a imprensa brasileira foi responsável, assim, pela construção de uma verdade única sobre a democracia, uma verdade que não apenas contestava a ideologia comunista como oferecia elementos para a luta anticomunista. A democracia defendida pelos jornais no imediato pós-guerra era dotada de limites bem definidos, ou seja, deveria estar a serviço dos interesses particulares de grupos políticos e econômicos, e o comunismo internacional e a ação legal do PCB no campo político brasileiro representavam constante ameaça a esses interesses”, opina Heber Ricardo da Silva em seu livro.
Acorrentada aos interesses de classe de seus proprietários e anunciantes, a mídia oligopolista, que petulantemente se considera Quarto Poder, continua sua sanha reacionária e anticomunista – aliás, como ficou pela enésima vez evidenciado na campanha que desenvolveu e desenvolve contra a presença do PCdoB no Governo Dilma.

*Carlos Pompe é jornalista, militante revolucionario comunista, editor do Vermelho/DF e curioso do Mundo!